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2018 e o Ano das Intervenções Artísticas no Sítio São Francisco

No ano de 2018, o Projeto Comcom Pimentas realizou uma grande série de atividades das mais variadas linguagens em diferentes espaços na região dos Pimentas, tanto educativas quanto artísticas e culturais.

Entre elas, tivemos logo no primeiro semestre realização no projeto Intervenções Artísticas na Urbanização do Sítio São Francisco iniciou suas atividades com a proposta de construir uma cartografia colaborativa, trazendo a sinergia entre os moradores do Sítio São Francisco e o espaço onde vivem.

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A articulação dos trabalhos ficou por conta da equipe do Projeto Comcom Pimentas, produzindo artes que criem diálogo entre o espaço público em constante transformação e as vivências individuais e coletivas dos moradores. O projeta une o processo da urbanização e de arte urbana em ações a partir da pintura, graffiti e lambe-lambe, contribuindo com o imaginário simbólico do bairro e suas histórias, mitos, ritos e lendas.

O local da primeira ação foi o muro da residência de Nelson José Alves Ferreira, comerciante local, na Rua Dez. Tivemos a pintura de um mural projetado pelo artista visual paulistano Paulo Meira (O‘Meira), que em seus trabalhos versa entre o design, graffiti e a ilustração no cenário urbano. A realização da arte também teve a assistência de três grafiteiros da região dos Pimentas: Rogério dos Santos (Rogério IRC), Fernando Manoel (FND) e Fábio Santos, além da pintora Luzia Aparecida, moradora da região que fez parte do projeto Ateliê Arte em Pimentas.

O’Meira buscou trabalhar com camadas e cores em perspectiva, utilizando texturas africanas. Sobre dividir o processo de produção da pintura com outros artistas, ele afirma: “É interessante essa troca de informação e técnica. Cada um tem sua linguagem, e (quando) coloco meu trabalho junto com outros artistas, deixo muito aberto para interferirem no layout proposto. Mas como a gente tem uma linha definida no próprio projeto, aí vai de cada artista desenvolver um pensamento, uma peça única para essa realidade do projeto e do que foi proposto.”

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Sobre o impacto da obra finalizada, o morador Nelson revela: “Todo mundo que passa olha (para a pintura) e diz ‘Nossa, ficou a coisa mais linda’. Pra mim foi muito satisfatório, muito bom. Deu outra cara, não só pra minha casa, mas pro bairro.” O grafiteiro e historiador da arte Fábio Santos declara que vê como importante do projeto não só o embelezamento do bairro, mas também a identificação dos moradores com as pinturas, e destaca: “É um painel bem gritante, é um contraste mesmo, por que você vê muito o cinza, ruínas e tal, do próprio barro mesmo, aquela terra vermelha, e quando você vê um colorido num muro grande ele se destaca.”

Em seguida, nos dias de 14, 16 e 23 de maio ocorreu a Oficina de Intervenção Artística-Poética no Projeto Comcom Pimentas, como continuidade das intervenções. Os encontros foram ministradas pelo artista visual Raul Zito, onde compartilhou suas experiências artísticas. Os educandos realizaram uma série de lambes trabalhando temáticas do rap, feminismo e depressão na juventude, as artes podem ser encontradas na rua Nove.

O trabalho de Zito é caracterizado por murais fotográficos com uma mistura de lambe-lambe e pintura. Então, no último fim de semana de junho, ele retornou para realizar uma imensa obra no Sítio São Francisco, contendo uma mulher negra refletida num espelho invertido, com uma emblemática pimenta como brinco, como forma de criar uma imagem simbólica para o bairro. A produção da arte contou novamente com a colaboração do grafiteiro FND e está localizada na Rua Santiago.

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Em agosto o grafiteiro paulistano Eduardo Marinho, o Credo, realizou uma série de artes nas ruas Santiago, Dez e Onze. Pensando na arquitetura dos espaços, ele criou recortes dos seus desenhos e os transformou em pintura depois que vão se encaixando nos muros do bairro.

Um dos coordenadores do projeto, André Gustavo Castro, mostra-se satisfeito com o processo até o momento: “Foi importante nós mapearmos os artistas locais que possuem trabalhos importantes e significantes, com know-how e trabalho consolidado dentro da arte urbana, dentro do graffiti. O mais legal, é que todos aqueles que passaram e viram isso daqui, querem ver o bairro deles mais bonito, ver o bairro melhor. É um chamariz, outros moradores estão oferecendo seus muros, suas fachadas, as suas casas.”

Na reta final do semestre aconteceram também as pinturas para a revitalização da escadaria da Rua Onze, próximo ao número 166, encerrando as nossas atividades do ano com chave de ouro. Os grafiteiros participantes foram Credo, Rim e Cadu.

O projeto pretende continuar suas atividades agora em 2019, as obras estão abertas nas ruas para que a população possa apreciá-las e mais informações podem ser encontradas em sua página no Facebook.

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16ª Edição – Jornal Sítio em Ação

A edição no 16 do jornal Sítio em Ação traz uma discussão sobre a importância dos esportes como agentes de transformação social na nossa matéria de capa e, no infográfico, temos dicas de espaços para práticas esportivas para jovens na região dos Pimentas. Na seção da CDHU, há um panorama do encontro de lideranças comunitárias que ocorreu em abril, no espaço de cultura NUA em São Miguel Paulista. Para finalizar, nesse período pós-Copa do Mundo ainda trouxemos uma crônica que resume o espírito da competição.

Não deixe de conferir! Para fazer o download, clique aqui ou na imagem abaixo:

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INTERVENÇÕES ARTÍSTICAS NA URBANIZAÇÃO DO SÍTIO SÃO FRANCISCO – RAUL ZITO

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Nos dias 29 e 30 de junho, como continuidade dos trabalhos realizados de intervenções artísticas, o artista visual Raul Zito realizou uma imensa obra de lambe-lambe no Sítio São Francisco. A produção da arte contou com a colaboração do grafiteiro Fernando “FND” Manoel, que realizará mais um trabalho no bairro nesta semana com o grafiteiro Rogério IRC.

Como ocorreu nas ações realizadas anteriormente, a articulação ficou por conta da nossa equipe do Projeto Comcom Pimentas.

 

Cursos Gratuitos: Jornal, TV e Rádio

As atividades no projeto ComCom Pimentas começaram com vários workshops interessantes, que visam trazer conhecimento técnico nas áreas de fotografia, escrita, edição de jornal e rádio.

Com uma linguagem descontraída, Paulo Brazyl , ministrou o primeiro workshop em que foram introduzidas duas técnicas de fotografia: o método Pin Hole, que tem como principais recursos uma lata de alumínio e a exposição do sol; e o Light Stencil, onde se trabalha com um estêncil em uma caixa e uma câmera.

Já João Alves ofereceu um workshop sobre narrativa, onde foi apresentado aos alunos as estruturas bases de uma história e como podemos utilizá-las para construir e contar nossos próprios enredos.

Cursos de Comunicação Comunitária: Jornal, TV e Rádio - 1º Semestre 2017.

Cursos de Comunicação Comunitária: Jornal, TV e Rádio – 1º Semestre 2017.

Tivemos, também, uma oficina de diagramação, desenvolvida por Wesley Sousa, que teve com enfoque a produção do jornal desenvolvido pelo ComCom trabalhando temas, como: editoração em InDesing e fotografia de digital com Photoshop.

O educador Jeferson Nascimento trouxe a vivencia do “Antes e Depois da Rádio”, trazendo aos alunos técnicas básicas para a produção de eventos e monitoramento de web transmissão.

Para quem não conseguiu acompanhar nossos cursos de férias ou acompanhou e quer continuar nessa empreitada de conhecimento, no dia 17/03 começarão nossos cursos regulares de jornal, rádio e TV!

Se você gosta de comunicação venha participar!!

Inscrições:

  • Através do link: goo.gl/forms/Q9F6BwtzNORHxw9i1
  • Por e-mail: projetocomcom.pimentas@gmail.com
  • Pessoalmente: EAT – escritório de apoio técnico da CDHU (Rua Nove, 273 – Antigo 679. Em frente ao C9\ antiga fábrica violeta).

Quando começa as aulas: 17 de Março 2017.
Horário das 14h às 17h

10ª Edição – Jornal Sítio em Ação

10ª Edição – Jornal Sítio em Ação

Clique aqui para ler a  10ª Edição – Jornal Sítio em Ação

Crônica Comcom

Devaneios

img_9928Crônica escrita por Beatriz Figueirôa, educanda da oficina de Jornal.

Aula de geometria. O assunto? Triângulos. Pelo menos era o que Alice achava. Estava entediada e não prestava atenção. Odiava matemática e suas vertentes. Seu celular vibrou em sua carteira e uma notificação do Facebook a avisou que o garoto que ela tinha uma queda desde o oitavo ano a adicionara.

Sem mais delongas, Alice chamou Pedro para “trocar uma ideia” no Messenger. Conversaram hoooooras… Sobre tudo! Sobre como Millie Bobby Brown estava ótima como Eleven em Stranger Things, sobre política, sobre formigas e sobre como sorvete de morango com açaí é delicioso.

Pedro era Caetano e Marias. Alice era Radiohead e Anitta. Ele Stephen King e Carlos Drummond de Andrade. Ela J.K. Rowling e Simone de Beauvoir. Ele poeta, ela ativista. Mesmo tão opostos eram como “verso e poesia, outono e ventania, praia e carioca”.

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Decidiram se encontrar no domingo. Alice escolheu o programa. Iriam assistir a um filme da sessão de clássicos do Cinemark. Ela planejou tudo em sua cabeça: assistiriam Bonequinha de Luxo, por causa da Audrey Hepburn, ele seguraria a sua mão durante o filme, dividiriam a pipoca e depois um milk-shake. Uma chuva de clichês que Alice amava; algo que começou de maneira tão geração do Merthiolate que não arde, estava se tornando uma cena de um filme hypado dos anos 90.

Quinta. Sexta. Sábado. FINALMENTE DOMINGO! Ela colocou o vestido de pregas macho que sua Tia Rita fizera. Ele colocou uma camisa jeans e seu melhor perfume. Estava nervoso!

Se encontraram no parque próximo ao shopping. Pedro levou peônias. Alice gostava de peônias, porque gostava de Gossip Girl. Gostava de Gossip Girl, porque gostava da personagem Blair Waldorf, que por sua vez, gostava de peônias; algo que Pedro descobriu através da famigerada stalkeada. Eles sabiam tudo um sobre o outro.

As coisas começaram a rolar desfiladeiro abaixo, quando ao invés de Audrey e George Peppard Alice viu Al Pacino e Marlon Brando. Pedro não segurou sua mão, mas ficou repetindo as falas de Don Vito Corleone. Não teve pipoca. Ele não gosta. Nem milk-shake.

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Depois do filme, foram comer algo. As pautas para conversa acabaram e o silêncio constrangedor sobrou. Alice começou a devanear. Lembrou de um texto que Tiago Iorc publicou no Instagram, contando que as moças de uns 100 anos atrás, iam ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro para serem cortejadas. Naquele tempo, existia um sofá de três lados, chamado namoradeira. A moça sentava de um lado, o rapaz do outro e, no terceiro lado, o pai da moça acompanhava o cortejo de perto, para dar o aval. Alice achou romântico.

Em meio a tantos pensamentos vertiginosos, começou a suar. Será que a conversa tinha morrido porque ela era chata? Ou porque ela tinha dormido no filme? Será que foi algo que ela disse? Ela chegou à conclusão que foi porque eles já sabiam tudo um do outro. Ela culpou a internet por roubar esse momento.

Quando se deu conta, Pedro a encarava e perguntou se estava tudo bem. Ela disse que sim, mas que estava cansada e queria ir pra casa. Ele a levou e se despediu com um beijo na testa. Ela sorriu. Ele também.

Alice entrou em casa. Pedro foi embora. Ela subiu para o seu quarto e enquanto se “desmontava” em sua penteadeira, mais pensamentos faziam alarde.

Alice estava chateada. O encontro pelo qual sempre sonhou, acabou com uma conversa morta. Mas ela pensou consigo mesma: “tudo bem Alice, conversas morrem mesmo, tal como encontros e relacionamentos. O que fica são as memórias e as trocas de conhecimento”.

Em um suspiro aliviado, ela se conformou. Ela não estava de todo triste, seu cochilo durante o filme foi ótimo.

Começaram as atividades do segundo semestre no ComCom Pimentas!!!

Depois dos cursos de férias de interpretação, fotografia, quadrinhos e web rádio, no dia 24 de agosto começaram novamente os cursos regulares de Rádio, Tv e Jornal oferecidos pelo ComCom Pimentas.

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Já nessas primeiras semanas, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer um pouco a história do cinema e já se familiarizar com planos fotográficos usados na produção televisiva. Nos cursos de rádio e jornal os alunos aprenderam e vivenciaram a construção de uma pauta e também como se estrutura uma notícia.

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Durante as aula os alunos puderam soltar a voz e a caneta na produção de textos autorais como a crônica e na criação dos seus próprios programas de rádio. Além dessas atividades, consolidadas e conhecidas que o ComCom desenvolve a alguns anos, nesse semestre foram estruturadas atividades lúdicas com as crianças que procuraram os cursos, como: passeios, grupo de leitura e jogos.

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Já o pessoal que integra o curso intermediário, alunos que já passaram pelos cursos regulares em outros semestres, nesse momento produzem uma matéria sobre a questão da mulher e também trabalham na edição e na produção visual da próxima edição do jornal produzido pelo projeto.

Atividade Lúdica e Educomunicativa.