Tag Archives: serie

Jogo de Cena – II

Em seus quatro anos de oficinas básicas de comunicação oferecidas ao público em geral, o Projeto Comcom Pimentas atingiu em média mais de 500 moradores da região onde atua e dos arredores. Desse número, uma boa parcela de educandos se formaram dentro dos três campos midiáticos que são trabalhados: Jornal, TV e Rádio. Entre eles, alguns permaneceram no projeto, tendo suas vidas influenciadas pela experiência nas aulas e produções, e até o momento continuam articulando e produzindo em novas instâncias de aprendizado que são o Intermediário e o Avançado. Além disso, estão também desenvolvendo uma formação como educomunicadores, ministrando oficinas e workshops como forma de reproduzir e compartilhar o conhecimento adquirido dentro do processo das atividades realizadas no projeto.

Dito isso, nós agora iniciamos uma nova série de vídeos chamada Jogo de Cena, onde os educandos formados, ainda atuantes, dão depoimentos sobre suas experiências no projeto e como suas vidas foram transformadas a partir delas.

Confira agora:

Jamilly Oliveira – Educanda da Oficina Básica de TV

 

Renata Santos – Educanda do Intermediário da TV

Vitória Gualberto – Educanda do Intermediário de Rádio, sonoplasta do programa Pimentas no Ar, produtora, roteirista e editora do programa Estação Teen e co-educadora na Oficina de Rádio.

 

Confira a primeira postagem desta série: Jogo de Cena – I

Anúncios

Jogo de Cena – I

Em seus quatro anos de oficinas básicas de comunicação oferecidas ao público em geral, o Projeto Comcom Pimentas atingiu em média mais de 500 moradores da região onde atua e dos arredores. Desse número, uma boa parcela de educandos se formaram dentro dos três campos midiáticos que são trabalhados: Jornal, TV e Rádio. Entre eles, alguns permaneceram no projeto, tendo suas vidas influenciadas pela experiência nas aulas e produções, e até o momento continuam articulando e produzindo em novas instâncias de aprendizado que são o Intermediário e o Avançado. Além disso, estão também desenvolvendo uma formação como educomunicadores, ministrando oficinas e workshops como forma de reproduzir e compartilhar o conhecimento adquirido dentro do processo das atividades realizadas no projeto.

Dito isso, nós agora iniciamos uma nova série de vídeos chamada Jogo de Cena, onde os educandos formados, ainda atuantes, dão depoimentos sobre suas experiências no projeto e como suas vidas foram transformadas a partir delas.

Confira agora:

Naily Martins – Educanda da Oficina Básica de TV

Wesley Souza – Educando do Intermediário de Jornal e TV, Cineasta, Fotógrafo, Editor de Fotos e Diagramador e Graduando de Licenciatura em Artes Visuais na UFOB (Universidade Federal do Oeste da Bahia)

Alan Neves – Educando do Intermediário de TV

Crônica Comcom

Devaneios

img_9928Crônica escrita por Beatriz Figueirôa, educanda da oficina de Jornal.

Aula de geometria. O assunto? Triângulos. Pelo menos era o que Alice achava. Estava entediada e não prestava atenção. Odiava matemática e suas vertentes. Seu celular vibrou em sua carteira e uma notificação do Facebook a avisou que o garoto que ela tinha uma queda desde o oitavo ano a adicionara.

Sem mais delongas, Alice chamou Pedro para “trocar uma ideia” no Messenger. Conversaram hoooooras… Sobre tudo! Sobre como Millie Bobby Brown estava ótima como Eleven em Stranger Things, sobre política, sobre formigas e sobre como sorvete de morango com açaí é delicioso.

Pedro era Caetano e Marias. Alice era Radiohead e Anitta. Ele Stephen King e Carlos Drummond de Andrade. Ela J.K. Rowling e Simone de Beauvoir. Ele poeta, ela ativista. Mesmo tão opostos eram como “verso e poesia, outono e ventania, praia e carioca”.

imagem_devaneios

Decidiram se encontrar no domingo. Alice escolheu o programa. Iriam assistir a um filme da sessão de clássicos do Cinemark. Ela planejou tudo em sua cabeça: assistiriam Bonequinha de Luxo, por causa da Audrey Hepburn, ele seguraria a sua mão durante o filme, dividiriam a pipoca e depois um milk-shake. Uma chuva de clichês que Alice amava; algo que começou de maneira tão geração do Merthiolate que não arde, estava se tornando uma cena de um filme hypado dos anos 90.

Quinta. Sexta. Sábado. FINALMENTE DOMINGO! Ela colocou o vestido de pregas macho que sua Tia Rita fizera. Ele colocou uma camisa jeans e seu melhor perfume. Estava nervoso!

Se encontraram no parque próximo ao shopping. Pedro levou peônias. Alice gostava de peônias, porque gostava de Gossip Girl. Gostava de Gossip Girl, porque gostava da personagem Blair Waldorf, que por sua vez, gostava de peônias; algo que Pedro descobriu através da famigerada stalkeada. Eles sabiam tudo um sobre o outro.

As coisas começaram a rolar desfiladeiro abaixo, quando ao invés de Audrey e George Peppard Alice viu Al Pacino e Marlon Brando. Pedro não segurou sua mão, mas ficou repetindo as falas de Don Vito Corleone. Não teve pipoca. Ele não gosta. Nem milk-shake.

enhanced-22790-1404762930-14

Depois do filme, foram comer algo. As pautas para conversa acabaram e o silêncio constrangedor sobrou. Alice começou a devanear. Lembrou de um texto que Tiago Iorc publicou no Instagram, contando que as moças de uns 100 anos atrás, iam ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro para serem cortejadas. Naquele tempo, existia um sofá de três lados, chamado namoradeira. A moça sentava de um lado, o rapaz do outro e, no terceiro lado, o pai da moça acompanhava o cortejo de perto, para dar o aval. Alice achou romântico.

Em meio a tantos pensamentos vertiginosos, começou a suar. Será que a conversa tinha morrido porque ela era chata? Ou porque ela tinha dormido no filme? Será que foi algo que ela disse? Ela chegou à conclusão que foi porque eles já sabiam tudo um do outro. Ela culpou a internet por roubar esse momento.

Quando se deu conta, Pedro a encarava e perguntou se estava tudo bem. Ela disse que sim, mas que estava cansada e queria ir pra casa. Ele a levou e se despediu com um beijo na testa. Ela sorriu. Ele também.

Alice entrou em casa. Pedro foi embora. Ela subiu para o seu quarto e enquanto se “desmontava” em sua penteadeira, mais pensamentos faziam alarde.

Alice estava chateada. O encontro pelo qual sempre sonhou, acabou com uma conversa morta. Mas ela pensou consigo mesma: “tudo bem Alice, conversas morrem mesmo, tal como encontros e relacionamentos. O que fica são as memórias e as trocas de conhecimento”.

Em um suspiro aliviado, ela se conformou. Ela não estava de todo triste, seu cochilo durante o filme foi ótimo.